Participar de campanhas de doação de livros para instituições comunitárias e bibliotecas.

Acolher e respeitar alunos com necessidades especiais.

Organizar e capacitar grupos de voluntários para atividades de leitura e escrita com crianças em processo de alfabetização.

Estimular o protagonismo estudantil e a prática do voluntariado pela comunidade universitária.

Login do usuário

Esporte universitário no Brasil sofre com desigualdade

Entenda como isso afeta atletas e resulta no desinteresse do público

Por Bruno Loturco

Os JUBS (Jogos Universitários Brasileiros) deste ano serão realizados na cidade de Fortaleza, no Ceará, em agosto. Todos os cerca de 4.500 atletas que irão participar terão hospedagem e alimentação custeadas pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro), por intermédio da CBDU (Confederação Brasileira do Desporto Universitário). Embora o cenário do esporte universitário nacional pareça promissor à primeira vista, a situação das federações estaduais não é homogênea, enquanto umas se dizem satisfeitas, outras sofrem sem estrutura. Regionalmente, cada entidade define como obter recursos e organizar competições. O resultado se expressa no desinteresse do público, com médias bastante inexpressivas. No caso de Pernambuco, por exemplo, a média de presentes em jogos de finais é de 250 espectadores.
Nessa irregularidade regional característica do esporte universitário, há entidades que conseguiram fechar parcerias de apoio governamental, como é o caso da FCDU (Federação Catarinense de Desporto Universitário). "A nossa grande cartada é o incentivo da Secretaria de Esportes e Turismo, que tem financiado o esporte", explica o presidente da Federação, Manuel Ribeiro ao contar que já tem garantidas todas as passagens para a delegação, composta por 161 pessoas, que irá ao JUBS. Em contrapartida, outras federações precisam buscar fontes de recursos alternativas. "Sobrevivemos das taxas cobradas dos atletas e das universidades. A CBDU não dá apoio nem recursos e também não recebemos nada do Estado", reclama Jean Pierre Dummar, vice-presidente da FUCE (Federação Universitária Cearense de Esportes).
A solução para algumas federações foi intensificar a relação com as universidades, e buscar parcerias no setor privado. É o caso da FAPE (Federação Acadêmica Pernambucana de Esportes) que, para viabilizar o transporte dos atletas, recorre às IES (Instituições de Ensino Superior) ou, em último caso, ao parceiro comercial. "Essas parcerias são interessantes porque o Estado não dá conta de tudo e as universidades nem sempre têm verba", explica Roberto Gomes de Melo Filho, presidente da FAPE.
É o que pensa Luciano Atayde Costa Cabral, presidente da CBDU. "O aumento da participação de atletas de ponta e a aproximação com empresas privadas vêm propiciando uma nova identidade para o esporte universitário",avalia ele. O sucesso da própria CBDU é atribuído por Cabral à efetivação de apoios. "Ao firmamos parceria com o Ministério do Esporte, as organizações Globo e o COB, os JUBS ganharam outra dimensão. Passamos a oferecer estrutura digna para atletas e os resultados começaram a acontecer naturalmente", afirma Cabral. Além disso, a parceria com o COB garante que os recursos para os JUBS sejam beneficiados pela lei Agnelo/Piva, que destina 2% da arrecadação das loterias federais para o esporte olímpico e paraolímpico.

Mudanças culturais

Sob a ótica das universidades, as parcerias também surtem efeitos positivos. É o que exemplifica o professor Santiago Pich, coordenador do curso de Educação Física da Univali (Universidade do Vale do Itajaí). "A FCDU financiou a participação de nossa equipe de caratê na liga universitária brasileira de luta, que ocorreu em abril, quando fomos campeões", conta Pich. Para ele, uma forma de o governo incentivar o acesso de atletas à formação superior seria por meio da concessão de bolsas de estudos. "Isso estimularia o desenvolvimento esportivo e humano dessas pessoas", acredita ele.
A opinião de Cabral endossa a afirmação de Pich. Segundo avalia, no Brasil ainda perdura uma visão distorcida, de que seria impossível conciliar estudos com prática competitiva de esportes. "É um grande equivoco e nosso trabalho visa mudar essa cultura. O atleta é, acima de tudo, um cidadão que terá que se encaixar no mercado de trabalho", afirma Cabral ao contar que a grande maioria dos atletas universitários não se profissionaliza. "Primeiro se forma o cidadão e, em conseqüência, vem o atleta. Esse é o grande legado social do esporte", declara ele.
O plano de carreira de Yane Marques, atleta do pentatlo moderno e que foi medalhista de ouro nos jogos Pan-Americanos de 2007, demonstra que há preocupação, por parte dos atletas, de complementar a formação esportiva com a acadêmica. "Vale a pena fazer um esforço um pouco maior agora para conseguir terminar o curso e, no futuro, quando não estiver mais rendendo no esporte, ter emprego garantido", afirma ela, que compete nas provas de natação pela Faculdade Maurício de Nassau.
No entanto, ela tem dificuldades em conciliar a rotina de treinos profissionais com as aulas. Mesmo com alguma flexibilidade da faculdade em relação às faltas e provas, ela conta que é difícil combinar as duas coisas. "Treino de seis a oito hora por dia e depois tenho de ir para faculdade à noite, sem contar as faltas por causa de viagens", explica ela. Desde que começou a treinar para as Olimpíadas de 2008, Yane está com o curso trancado. E já havia trancado antes, para treinar para os Jogos Pan-Americanos.
Na opinião de Melo, a necessidade de mudança cultural se aplica também às universidades. "Alguns gestores têm de entender que esporte universitário é investimento e dá retorno", garante ele. O presidente da Liga Atlética do Mackenzie, de São Paulo, Carlos Arasaki, analisa sob o ponto de vista do aluno. "As universidades precisam entender a importância do esporte na fidelização do aluno que veste sua camisa. Um ex-aluno patrocina toda a bateria do Mackenzie só porque estudou lá", conta Arasaki.
O retorno efetivo dos investimentos foi medido pela FAPE com relação à exposição da marca na mídia através das equipes. De acordo com levantamento realizado pela Fundação, há IES pernambucanas que obtiveram retorno de até 400 vezes sobre os valores investidos na participação em campeonatos. No caso da FAPE, conta Melo, flashes dos campeonatos regionais são transmitidos durante a programação da TV Clube, filiada regional da TV Band, além de haver cobertura por parte de jornais.
Na Univali, Pich afirma que o departamento de marketing começou este ano a fazer o acompanhamento do retorno obtido a partir de investimentos em esporte universitário. "O que já posso dizer é que o retorno é bastante positivo", diz ele. Pich reconhece que a política de investimentos da instituição considera os benefícios que advêm da exposição. "A universidade tem mantido uma postura bastante firme de apoio ao esporte. A partir do retorno de imagem que tivermos, os recursos podem ser ampliados para o ano que vem", afirma ele.
Arasaki considera promissora a parceria firmada entre o Mackenzie e o Nacional Atlético Clube, de São Paulo, para incentivar o futebol feminino. Segundo conta, o time, composto por alunas da universidade, recebe prêmios em dinheiro da FPF (Federação Paulista de Futebol) conforme avança no Campeonato da Federação. Além disso, alguns dos jogos são transmitidos ao vivo pela televisão. "Os prêmios não são suficientes para manter o time, mas as universidades podem aproveitar o espaço dos clubes para desenvolver o esporte", acredita.

Desempenho heterogêneo

Existem federações no outro extremo dessa cadeia, como a FGDU (Federação Goiana do Desporto Universitário). Para seu presidente, Lusimar Pinto, o maior problema do esporte universitário é, justamente, a falta de divulgação na imprensa. "Se houvesse visibilidade, com certeza teríamos mais atletas de ponta. Eles querem ir para a Universíade (Olimpíadas Universitárias mundiais) por causa da exposição de mídia", declara ele.
Além disso, para Pinto, o poder público é ausente e são poucas as universidades que trabalham o tema com seriedade. "Se houvesse esforço dos órgãos oficiais com custeio de eventos, com certeza o esporte universitário teria mais força", acredita ele. O caminho apontado pelo presidente para auto-suficiência das federações passa pela definição de políticas públicas voltadas ao esporte universitário. "Os parceiros não vão entrar inicialmente sem garantias. Depois da fomentação inicial, há visibilidade e dá para vender o produto", explica Pinto.
Em paralelo, na opinião do dirigente goiano, as IES têm de fazer a parte que lhes cabe, conceder bolsas de estudos, locais de treinamento, professores, subsídios às inscrições em campeonatos, uniformes e transporte para os jogos. "Nossa mentalidade ainda é crua. Há universidades que pensam que, ao dar bolsa, já fazem o suficiente pelo atleta", critica ele. Já Ribeiro, da FCDU, conta que também as universidades têm colaborado com o desenvolvimento desse segmento esportivo em Santa Catarina. "Cada instituição investe de R$ 20 mil a R$ 80 mil para participar do Estadual. Temos 19 filiadas e na última edição tivemos 16 equipes participando", lembra o dirigente.
Arthur Iwasaki, presidente da Atlética de Educação Física da Universidade Anhembi Morumbi, acredita que falta organização e profissionalismo às associações atléticas. "Na maioria das atléticas há muita gente que tem vontade de trabalhar, mas não tem conhecimento de gestão", afirma ele. Além disso, Iwasaki associa o desinteresse da mídia à falta de comprometimento das atléticas. Arasaki conta que, no caso de campeonatos organizados pelas atléticas, há desorganização e o compromisso é pequeno. "Os jogos atrasam, são adiados ou os times não comparecem", resume ele. A responsabilidade nesse caso, para Arasaki, divide-se entre os alunos e IES. Estas, diz, deveriam contar com profissionais de gestão esportiva para dar orientação aos alunos e permitir que o nome da instituição seja usado para angariar patrocínios e contribuir com a gestão burocrática e contábil.

Fonte: Site Universia
Acesso em: http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=17760
Data da publicação: 22/05/2009