Na última reunião da Cúpula do Mercosul, realizada em Assunção, no mês de julho, os presidentes do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela (este último epresentado pelo vice-presidente), assinaram um comunicado reforçando a necessidade de implementar uma agenda de trabalho decente para a juventude nos países que formam o Bloco. A resolução atende a uma recomendação da V Sessão da Reunião Especializada de Juventude do Mercosul (REJ), que aconteceu no mês de junho, também na capital paraguaia. A REJ é composta por todos os organismos responsáveis pelas políticas de juventude desses países e por representates da sociedade civil, que decidiram estabelecer o tema com prioridade e definiram a necessidade de levar a questão às instâncias superiores do Mercosul a fim de viabilizar a construção de uma agenda nos respectivos países.
Entende-se por Trabalho Decente aquele adequadamente remunerado, exercido em condições de liberdade, equidade, segurança, e capaz de garantir uma vida digna. No entanto, uma parcela significativa dos jovens apresenta grandes dificuldades para conseguir uma inserção de boa qualidade no mercado de trabalho. Frequentemente esta inserção é marcada pela precariedade, elevadas taxas de desemprego e infomalidade e baixos níveis de rendimento e proteção social, que tornam difícil a construção de trajetórias de trabalho decente na região.
Na opinião de Vinicius Sartorato, representante da Central Unica dos Trabalhadores (CUT), a construção dessa agenda, em âmbito regional, será fundamental para combater o desemprego e a informalidade, elevando as condições de desenvolvimento dos jovens nos países do Mercosul. Já o conselheiro do Conjuve, João Vidal, que representa a União Geral dos Trabalhadores (UGT), destaca que a criação da REJ e a agenda de trabalho decente são os eixos estratégicos da participação juvenil no Bloco. Ele lembra, ainda, que os movimentos sociais contribuíram de maneira significativa para os dois itens.
A promoção do trabalho decente é um compromisso firmado pelo Brasil e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e várias ações vêm sendo adotadas para que a prática se torne realidade no país. Entre as iniciativas podemos citar a criação de um comitê interministerial para agenda de trabalho decente e a divulgação de pesquisas sobre juventude e trabalho, que são desenvolvidas em parceria com a OIT. Do ponto de vista prático, temos a regulamentação da profissão de motoboy e o compromisso nacional, assinado entre trabalhadores e empresários do setor sucroalcooleiro, para aperfeiçoar o trabalho na cana-de-açúcar, duas categorias que, majoritariamente, são compostas por jovens.
Um outro aspecto da decisão, não menos importante, é o reconhecimento, por parte dos presidentes, do trabalho desenvolvido pela REJ. Segundo Danilo Moreira, secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Juventude "esta decisão tem um grande valor simbólico, pois ressalta a importância do tema trabalho para as políticas de juventude. A intenção agora é impulsionar esta agenda no âmbito do Mercosul, conhecendo a experiência dos outros países e apresentando as iniciativas brasileiras. Por isso estamos preparando para este semestre, no Brasil, um seminário internacional, com a participação dos governos e das lideranças sindicais juvenis dos países do Mercosul para darmos continuidade a esta agenda".
Veja o que diz o item do Comunicado assinado pelos presidentes: " Acogieron con beneplácito la recomendación de la Reunión Especializada de la Juventud sobre la necesidad de fortalecer las iniciativas que tengan como objetivo desarrollar, junto a los Estados Partes del MERCOSUR y Estados Asociados, la implementación de la agenda de trabajo decente para la juventud, propuesta por la Organización Internacional del Trabajo, en colaboración con los organismos nacionales de juventud y las organizaciones sociales. "
V Reunião Especializada de Juventude do Mercosul - A V REJ ocorreu nos dias 11 e 12 de junho e apontou uma série de iniciativas visando à integração das políticas públicas de juventude entre os países membros do Mercosul. Acatando proposta da delegação brasileira, a Reunião aprovou, por consenso, que o tema trabalho e juventude seja levado a instâncias superiores do Bloco para que os países passem a desenvolver uma agenda de trabalho decente voltada para juventude, conforme sugere a Organização Internacional do Trabalho - OIT. A delegação brasileira foi coordenada pela Secretaria Nacional de Juventude e contou com participação de representante do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), do Ministério das Relações Exteriores, Ministério do Trabalho e organizações da sociedade civil. A questão também é prioridade na pauta do Conjuve este ano. Nos dias 1º e 2 de junho, o Conselho realizou uma oficina específica sobre o tema, em parceria com a OIT e o Ministério do Trabalho. Na ocasião, foi lançada a pesquisa "Trabalho Decente e Juventude", mostrando que a taxa de desemprego entre os jovens é 3,2 vezes maior que a dos adultos. (por Catherine Fátima Alves)
Mais Informações: Assessoria de Comunicação
SG/Secretaria Nacional de Juventude
Tel.: (61) 3411.1407
Fonte: Site Juventude.gov